Foi quando senti sua falta. Querer o corpo dela do meu lado, mesmo que não pudesse tocar, só pra me sentir melhor. Ela ali, poderia me fazer esquecer o quanto o mundo era imbecil, quanto a morte das pessoas não tinha nada a ver comigo. Porque eu sinto a dor das outras pessoas? Basta ler no jornal que alguém morreu que eu já fico deprimido. Choro mais do que a viúva a lado do cadáver. Por isso eu evito jornais. Eles me deprimem.
- Vai querer o que?
Essa era a única coisa que a humanidade tinha pra me dizer por eu me preocupar tanto com ela?
- Cigarro. Marlboro.
Ela trouxe e eu paguei. Até que ponto vai a mente humana?
Acendi um cigarro e chorei. Não com lágrimas, porque acho que não são necessárias lágrimas para chorar, as pessoas pensam que lágrimas é que fazem o choro, e eu digo que o que faz o choro é a vontade de acabar com a própria vida.
Traguei bem forte e analisei a possibilidade de pular na frente do ônibus. Como eu queria ela ali agora, só para poder dizer "eu te amo", abraçá-la e fazer alguma brincadeira idiota que fizesse ela rir. Como queria ela ali.
sábado, 12 de julho de 2008
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