Ontem, eu pude ser como eu jamais fui em toda a minha vida. Tive vontade de escrever o que estava sentindo. Tive medo de chorar, medo de sorrir. Ontem, eu fui mais eu do que jamais alguém foi. Infelizmente eu sabia que o tempo curaria até mesmo a sensação de se eu mesmo.
Tive vontade de chorar, e quando me olhei no espelho, vi só uma sombra. Uma sombra com lágrimas na face. Estava muito frio, mas eu acho que tremi porque nunca tinha podido ser tão EU quanto fui. Isso me deprimiu.
Conhecer a si mesmo deveria ser uma coisa que me deixaria feliz. Ao contrário, me senti podre. Quis me matar. Olhei pela janela e vi a luz na pista deserta. Me lembrei das viagens de ônibus que fazia quando era menor.
Me senti muito só. Senti que as pessoas à minha volta não estavam interessadas. O frio cortante me fez ter vontade de comer algo, apesar da minha ânsia de vômito que sentia de mim mesmo. Desci as escadas tentando não fazer barulho e peguei um sanduíche. Fui para a varanda e á acendi um cigarro.
Quem me dera parar de fumar, pensei. A sensação do tabaco indo para o meu pulmão me deixou calmo e eu acariciei o gato preto que passava ali. Sete anos de azar uma ova.
Pensei na minha garota e como seria. Pensei em mim daqui a 50 anos. Seria um fracassado. Gordo, feio e torto. Pobre, tosco e burro. Sozinho como meu pai.
Sempre idealizei muito meu pai, ele sempre foi um cara duro, sem regalias e cheio de dúvidas. Foda-se, pensei. A minha vida toda eu tenho esperado por alguma epifania que me fizesse ser um cara fodão. Esperei dezessete anos. Talvez aquele tenha sido o momento. Apaguei o cigarro na sola do sapato e entrei.
sábado, 12 de julho de 2008
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Um comentário:
Sentimental, crítica e nenhuma
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