sábado, 13 de junho de 2009

Com que beijo?

De mágoa, morto, ferido a espada, poço. Ela me diz o que eu sei, me diz que tem raiva de saber o que eu vivo. Eu acordo e sei o que é que vou viver, e tenho raiva é de saber que ainda vivo.

- Oi, você está aí? Ela me pergunta.
Pergunta a mim, eu que desejei por toda a vida saber a resposta.
- Porque você não me responde?
Que pressa é essa? ah, que pressa? o mundo não vai acabar amanhã, o mundo é nosso e o tempo do mundo só conspira, nós dois flutuamos nessa bolha do tempo, como se pra gente, ele não passasse. Nós dois, a bolha, e o tempo. Que tempo? Alguém ja entendeu pra poder dar nome a isso que passa, que eu não sinto, não cheiro, mas que choro todos os dias?
- Eu te amo.
Quem sabe um dia eu inda tenha dela, minha, essas palavras.
De mágoa de morto, de ferido, tive arrancada do peito aquilo que chamei de liberdade, a liberdade que eu já toquei um dia, que eu sinto o cheiro quando vou embora. Eu sei que o tempo existe porque já senti, em outro tempo, o cheiro da liberdade, o toque da liberdade, a liberdade, liberdade, ah, liberdade...
- Você está aí?
E eu queria saber. E eu estava? Não estava. Quando morreu a liberdade, morreu tudo. Quando morreu a liberdade, morri todo. E se me morre a liberdade,me morre o tempo, e eu já nem sei onde estou.
- E o nosso tempo,inda virá? Ela pergunta (ou eu acho que ela me pergunta?)
Virá, prometo, com meus beijos, com seus beijos. Beijos.

2 comentários:

Alamara Souza disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alamara Souza disse...

Merlim, Merlim.
Quanto existencialismo menino!
Que coisa! Fica assim não. Eh natural que tendo a consciência de que a liberdade não exista de fato,agente sinta essa angústia sufocante.
Aliás, penso nesse dilema que responde à pergunta"vc está aí?".Não, não estamos, estamos apenas para nós mesmos, para atender "nossos" anseios, ao "nosso" tempo, a "nossa" hora. Ai, que humanindade mais subjetiva e egoísta. Já pensou sobre isso?
Sabe que estou saudosa de vc né??